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quarta-feira, 6 de julho de 2011

A GLOBALIZAÇÃO, UM FATO PRETÉRITO

                       

                          A GLOBALIZAÇÃO, UM FATO PRETÉRITO



Os estudiosos tentam em seus pensamentos acadêmicos oferecerem interpretações e caminhos alternativos ao processo de globalização no contexto do neoliberarismo. E, num víeis não eficaz, eles oferecem essas novas idéias a mesa dos que dominam, no sentido que estes mudem suas atitudes em pró dos dominados, o que não deixa de ser um objetivo inocente e utópico. Os registros históricos provam que os privilegiados não renegam seus privilégios em nome da repartição, simplesmente a vista do convencimento dialético, e sim por atitudes fisicamente ruidosas por parte dos não beneficiados pelo sistema vigente.

Respeitando os ilustres pensadores e historiadores,  e suas horas de estudos dedicadas à compreensão do mundo real e suas nuances ideológicas, as terminologias globalização e neoliberarismo são palavras contemporâneas, que tentam decifrar realidades seculares com se fossem fenômenos recentes. Nos caminhos da humanidade, os povos tecnologicamente mais desenvolvidos, guiados pelas necessidades naturais de expandir seus domínios, partiram para conquistas dos presumivelmente mais fracos. Isso é uma forma rudimentar de globalização.

As grandes viagens dos desbravadores oceânicos, a exemplo de Vasco da Gama, Cabral, Colombo foi uma forma de globalizar resultados, no momento em que trocavam as especiarias extraídas nas novas terras desbravadas por manufaturas do império. No mesmo período colonial quando os trópicos por razões climáticas produziam cana de açúcar e exportavam para as Metrópoles européias, era uma forma de divisão e especialização globalizada do trabalho e da produção.

O que se pode verificar é que este fenômeno não é novo, sua essência é pretérita, o que muda com o tempo é a forma do mesmo materializar-se acompanhando o desenvolvimento tecnológico da humanidade. Na verdade configura-se um formato de relação econômica entre nações, povos ou regiões, onde uma das partes angaria receitas e a outra absorve as mazelas.

Os ideólogos tentam através de formulações teóricas tornarem mais humanas e equilibradas as relações de trocas materiais e financeiras entre as nações do globo, num contexto de um novo contrato social. Concordo, no sentido de que todos participem dos ganhos promovidos pelo processo de globalização e não apenas as nações ricas.Porém não encontramos em momento algum, nas entrelinhas dos pensamentos desses teóricos, quais as maneiras que os oprimidos conseguirão estas mudanças.

O processo de internacionalização da economia, é irreversível, pois suas bases foram assentadas naturalmente na dinâmica das leis econômicas, na busca pela eficiência, ou seja foi um processo natural e não ideológico. A globalização tem movimentos próprios, e não surgiu postada em uma ideologia formulada anteriormente, é uma realidade econômica preexistente, mensurada pouco a pouco, e não esta realidade tomou vida em suas divagações teóricas.

Conforme foi dito no parágrafo anterior, ou seja, a luz própria do fenômeno da globalização e do pensamento neoliberal, talvez explique a capacidade do sistema capitalista de historicamente se superar em seus contraditórios, ao contrário da Revolução Socialista de 1917 na Rússia, que foi estribada nos conceitos teóricos de
Karl Marx e Friedrich Engels, e que hoje não reina em termos práticos em nenhuma grande nação na ordem mundial, a não ser, na enigmática Cuba de Fidel.

O capitalismo triunfou em relação ao socialismo? Não sei. Talvez seus méritos estejam na capacidade de auto se regular ou se superar, na falta de amarras, ou por ter nascido no mundo real, enquanto o socialismo nasceu na abstração das idéias no utópico. Não estou entrando no mérito, não tenho pretensão, até por falta de capital intelectual, para formular conceitos sobre qual sistema é o mais justo, ou atenda os anseios de suas estruturas sociais. Só visualizo, que pela seleção natural o modo capitalista está vivo, e seu antagônico o socialismo Marxista só continua vivo nos ambientes acadêmicos.

No final dos anos 20 e inicio dos anos 30, do século passado, o fenômeno econômico da grande depressão nos Estados Unidos da América do Norte, caracterizado pelo profundo desaquecimento da economia americana, e suas conseqüências, principalmente o desemprego, sinalizava para os socialistas o “ big ben” do capitalismo, pois os tratados dos ideólogos do socialismo indicavam que o sistema capitalista conviveria com crises cíclicas em seu âmago, em virtude de suas contradições, até o momento em que em uma dessas crises ou o apogeu delas, desagregaria o sistema.

Estavam redondamente enganados, em 1929 surge no cenário da crise o economista John Maynard Keynes, solucionando essa inércia da economia americana, através do aumento dos gastos públicos. Com essa maior presença, ou como queira maior intervenção do estado na economia, a crise foi superada.

Ora veja, no período histórico que delimitava a crise de 1929 o remédio econômico utilizado pelo capitalismo e que o salvou, foi uma maior presença do estado na economia, e hoje no mundo neoliberal o receituário preconiza a diminuição da presença do estado no mundo econômico. Não pense que são contradições ilógicas, pelo contrário são os mecanismos internos do sistema que lhe permitem perpetuar sua existência. Enquanto isso o socialismo criado no campo da abstração dialética, engessado em seus dogmas não conseguiu sobreviver no mundo real.

Os teóricos, possivelmente não tenham percebido em suas análises sobre a irreversibilidade do processo de globalização, que os modos de produção não são estáticos temporalmente e atende a uma dinâmica das forças econômicas para aquele cenário do momento. Realmente a globalização neste quadrante temporal é irreversível, mas não é para o incógnito futuro. Outros modos surgirão,quais, não sei.

O que as nações não agraciadas com os loiros da globalização podem fazer, se tiverem vontade, seria procurar se inserir no sistema, lutando pela sua fatia no bolo, já que ditos desenvolvidos querem tudo e não aceitam diálogo.

Um exemplo cristalino de vontade em sair da condição de servidão para a linha de frente do bem estar, encontramos no nosso vizinho, a Argentina, quando em 2001 a população disse não ao pagamento da dívida externa, indo as ruas protestar nas principais cidades. Na verdade o FMI não é um cordeiro nem uma tábua de salvação econômica, e sim o lobo em pele de cordeiro e a armadilha econômica, e durante décadas esse aparelho financeiro ou banco do primeiro mundo, emprestou dinheiro as nações pobres, e logo depois cobrando com acréscimos, que estão sendo pagos com a esperança e o sangue das nações pobres e seus governos tolerantes com esta extorsão.

Na França, em março de 2006, com a promulgação da Lei do Primeiro Emprego, os estudantes e os sindicatos franceses foram as ruas das principais cidades, realizando violentos protestos, pela revogação desse instrumento, pois em seu bojo constava uma cláusula permitindo o empregador dispensar sem justificativa o jovem contratado. Os franceses perceberam que este item poderia ser o primeiro passo em relação a flexibilização das leis trabalhistas.

E vejam como é profundo o fosso de conquistas sociais entre a França e o Brasil, e mesmo assim os descendentes do 14 de julho de 1789 não querem perder direitos sociais. Enquanto a sociedade brasileira vive dormindo no berço esplêndido, o governo sinaliza acabar com a estabilidade de emprego no serviço público, restringir seu direito de greve etc, tudo isso sem oferecer medidas compensatórias, ou adotar caminhos que levem ao desenvolvimento econômico.

Isto é o que penso.


Josemar Souza Santos



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