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segunda-feira, 25 de julho de 2011

MONOGRAFIA - INTRODUÇÃO

1 INTRODUÇÃO



Poucas regiões no planeta Terra apresentam um conjunto de vantagens em relação ao lazer e esportes náuticos como o litoral baiano, o mais extenso do Brasil. Quando se leva em consideração apenas a Baía de Todos os Santos – BTS essas vantagens se tornam mais evidentes. Essa baía é a maior do Brasil e a segunda do planeta, a ponto de ser denominada em tempos remotos de Golfo da Bahia. As 56 ilhas que compõem seu espelho d’água, algumas praticamente em estado natural e diversos rios navegáveis permitem a interiorização das embarcações em direção ao continente (DESTINO, 2008).

 A Baía também possui um clima tropical, com regime de ventos favoráveis à prática da navegação à vela e profundidades adequadas ao tráfego náutico, não só de embarcações de lazer e navios de cruzeiros, mas também às embarcações mercantes de grande porte, como se comprovam nos inúmeros terminais marítimos existentes em seu interior.

A secular cultura náutica baiana estribada nas embarcações típicas denominadas de saveiros, e suas variantes, que operacionalizavam os transportes de passageiros e cargas com a capital, o recôncavo e o restante do litoral, foi relegada ao ostracismo, quando poderia se transformar em meios que incentivassem novas gerações de baianos a cultivar o mar, não pelas mesmas razões econômicas dos antigos saveiristas, mas pela preservação da identidade cultural de um povo.

A extinção da antiga Companhia de Navegação Baiana – CNB, empresa secular, que possivelmente é a marca mais conhecida dos baianos até a primeira metade do século XX, ligava por via marítima a cidade de Salvador às principais cidades do Recôncavo e ao restante do litoral baiano, foi outro fator negativo em relação à história naval da Bahia, pois durante o seu processo de liquidação não foram tomados os cuidados necessários no sentido de preservar o acervo documental.

Nações da Europa, Estados Unidos, Austrália, dentre outras, usam de todos os recursos possíveis para preservar as suas culturas náuticas, pois acreditam que a identidade de um povo começa no mar. Nesses países qualquer embarcação com algum valor histórico é conservada em estado operacional, com recursos financeiros não só provenientes dos seus governos, mas principalmente da sociedade civil.

Em relação às estruturas náuticas, verifica-se que a Bahia pouco tinha a oferecer àqueles que desejavam adquirir uma embarcação e guardá-la com segurança. O mesmo acontecia com os visitantes e suas embarcações, em busca dos atrativos no litoral da Bahia.

O cenário só começou a mudar com a construção da Bahia Marina na década de 90 do século XX, a maior do Nordeste e a mais moderna do Brasil, situada nas adjacências da Avenida Contorno, em pleno Centro Histórico de Salvador. A partir desse momento houve uma requalificação das estruturas náutica de lazer na capital baiana.

Outro fato importante neste período foi à criação do Centro Náutico da Bahia – CENAB, cuja sede ficava na antiga edificação onde funcionava a Companhia de Navegação Baiana – CNB. Este centro apesar de não ter atingido todas as metas propostas, através de uma pequena marina, viabilizou a atração de inúmeras regatas internacionais em direção à capital baiana.

A identificação de vazios, possíveis de serem preenchidos de forma sustentada no mercado náutico de lazer da Bahia, elevará as perspectivas de geração de renda, postos de trabalhos e arrecadação de tributos em toda cadeia de serviços desse segmento econômico, o que proporcionará melhorias nos índices de desenvolvimento humano do Estado. O Caribe, Bahamas e Mar Mediterrâneo são exemplos concretos de exploração racional da náutica de lazer, rendendo somas significativas pelo uso de marinas, construção de embarcações e gastos efetuados por passageiros de cruzeiros marítimos em visita a portos dessas regiões.

Essas vantagens competitivas da Baía de Todos os Santos em relação ao lazer náutico quando comparada a outras regiões do Brasil e do restante do planeta e a perspectiva de transformar o desenvolvimento dessa atividade em geração de renda, empregos e tributos, qualificando os índices de desenvolvimento da Bahia, foi o que levou a elaboração desse trabalho.

Esta monografia foi estruturada em segmentos: introdução, oito capítulos e conclusão, com o objetivo de demonstrar, em uma seqüência lógica, as potencialidades da BTS e atitudes possíveis a serem tomadas no sentido de desenvolver atividade náutica de lazer. A metodologia utilizada estruturou-se em pesquisa de campo, vivência empírica na área, consultas a outros trabalhos científicos e a órgãos governamentais. Ressalta-se a dificuldade de encontrar dados estatísticos confiáveis e atualizados.

O capítulo um demonstra o que é o lazer náutico, sua evolução e estruturas, possibilitando uma visão concisa do assunto discernido. No capítulo dois são observadas as vantagens climáticas, geográficas e culturais da Bahia em relação a outros litorais do Brasil, mas não totalmente potencializadas. A evolução das estruturas náuticas da Baía de Todos os Santos ao longo do tempo é retratada na terceira parte do trabalho.

Em seguida, relata-se a ausência de políticas públicas direcionadas ao crescimento sustentado da atividade náutica de lazer no Estado da Bahia. A necessidade de contar com estruturas eficientes de salvatagem[1], com a participação direta do governo baiano, visando proporcionar uma maior segurança aos navegadores é o assunto seguinte. No capítulo seis estão definidos os roteiros para o crescimento auto-sustentado da náutica de lazer na Baía de Todos os Santos.

Em seguida, se observa a necessidade de elaborar um mecanismo de política fiscal com o intuito de atrair estaleiros e indústrias de equipamentos náuticos para o território baiano. Por fim, é revelado o caso do Estaleiro Fantástico como exemplo de iniciativa surgida em comunidade carente e que tem avançado em termos estruturais, mesmo sem contar com ajuda oficial.



[1] Salvatagem é o nome dado ao conjunto de equipamentos e medidas de resgate e manutenção da vida em um pós-desastre marítimo.




JOSEMAR  E  MARGARIDA SZABÓ

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